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‘Manuscritos do Mar Morto’ no Museu da Bíblia São Falsificações

Meses de testes confirmam as suspeitas de que os fragmentos foram feitos nos tempos modernos. E agora?quarta-feira, 25 de março de 2020

O Museu da Bíblia tem 16 supostos fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto, incluindo este pedaço ...
O Museu da Bíblia tem 16 supostos fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto, incluindo este pedaço do Livro do Génesis. Uma nova investigação científica, financiada pelo Museu da Bíblia, confirmou que todos os fragmentos são falsificações modernas.
FOTOGRAFIA DE REBECCA HALE, NGM STAFF

Washington D.C. – No quarto andar do Museu da Bíblia, uma vasta exposição permanente conta a história de como as escrituras antigas se tornaram no livro mais popular do mundo. Um santuário iluminado no coração da exposição revela alguns dos bens mais valiosos do museu: fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto, textos antigos que incluem as cópias sobreviventes mais antigas da Bíblia Hebraica.

Mas agora, o museu de Washington D.C. confirmou uma realidade amarga sobre a autenticidade dos fragmentos. Investigadores independentes financiados pelo Museu da Bíblia anunciaram que todos os 16 fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto do museu são falsificações modernas que enganaram colecionadores externos, o fundador do museu e alguns dos principais estudiosos bíblicos do mundo. As autoridades revelaram as descobertas numa conferência académica organizada no início de março pelo museu.

“O Museu da Bíblia está a tentar ser o mais transparente possível”, diz o CEO do museu, Harry Hargrave. “Somos vítimas – somos vítimas de deturpação, somos vítimas de fraude.”

Num relatório com mais de 200 páginas, uma equipa de investigadores liderada por Colette Loll, investigadora de fraudes de arte, descobriu que, apesar de as peças serem provavelmente feitas de couro antigo, foram pintadas nos tempos modernos e alteradas para se parecerem com os verdadeiros Manuscritos do Mar Morto. “Estes fragmentos foram manipulados com a intenção de enganar”, diz Colette.

As novas descobertas não colocam em questão a autenticidade dos 100.000 fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto, a maioria dos quais está no Santuário do Livro, numa ala do Museu de Israel, em Jerusalém. No entanto, o relatório levanta sérias dúvidas sobre os fragmentos “pós-2002” dos Manuscritos do Mar Morto, um grupo de cerca de 70 trechos de textos bíblicos que entraram no mercado de antiguidades nos anos 2000. Mesmo antes deste novo relatório, alguns estudiosos acreditavam que a maioria dos fragmentos pós-2002 eram falsificações modernas.

“Assim que sabemos que um ou dois fragmentos são falsos, sabemos que provavelmente são todos falsos, porque vêm das mesmas fontes e parecem basicamente os mesmos”, diz Årstein Justnes, investigador da Universidade de Agder, na Noruega, cujo projeto Lying Pen of Scribes rastreia os fragmentos pós-2002.

Desde que foi inaugurado em 2017, o Museu da Bíblia financiou a investigação das peças e enviou cinco fragmentos para o Instituto Federal de Pesquisa de Materiais, na Alemanha, para serem testados. No final de 2018, o museu anunciou os resultados ao mundo: todos os fragmentos testados aparentavam ser falsificações modernas.

Mas e os outros 11 fragmentos? E como é que os falsificadores conseguiram enganar os principais estudiosos dos Manuscritos do Mar Morto e o Museu da Bíblia?

“Realmente era – e ainda é – uma espécie de história de detetives muito interessante”, diz Jeffrey Kloha, diretor de curadoria do Museu da Bíblia. “Esperamos que isto seja verdadeiramente útil para as outras instituições e para os investigadores, porque acreditamos que fornece uma boa fundação para analisar outras peças, mesmo que isso suscite outras questões.”

Sob o microscópio
Em fevereiro de 2019, para descobrir mais sobre os fragmentos, o Museu da Bíblia contactou Colette Loll e a sua empresa, Art Fraud Insights, para fazer uma investigação física e química exaustiva das 16 peças. As imitações e falsificações não eram uma novidade para Colette. Depois de obter o seu mestrado em história da arte na Universidade George Washington, Colette estudou crimes internacionais de arte, fez investigações de falsificações e treinou agentes federais em questões de património cultural.

Colette insistiu para que o trabalho fosse independente. Não só o Museu da Bíblia não teria uma palavra a dizer sobre as descobertas da equipa, como o relatório seria final – e teria de ser apresentado ao público. O museu concordou com estes termos. “Sinceramente, nunca trabalhei com um museu que tivesse tanta frontalidade”, diz a investigadora.

Colette Loll reuniu rapidamente uma equipa de cinco conservadores e cientistas. De fevereiro a outubro, a equipa visitou periodicamente o museu e fez as suas análises. Em novembro de 2019, quando o relatório foi finalizado, os investigadores foram unânimes. Todos os 16 fragmentos pareciam ser falsificações modernas.

Primeiro, a equipa concluiu que os fragmentos eram aparentemente feitos do material errado. Quase todos os fragmentos genuínos dos Manuscritos do Mar Morto são feitos de pergaminho bronzeado, ou levemente bronzeado, mas pelo menos 15 dos fragmentos do Museu da Bíblia eram feitos de couro, que é mais espesso, rugoso e fibroso.

A investigadora Abigail Quandt, chefe do departamento de conservação de livros e documentos do Museu de ...
A investigadora Abigail Quandt, chefe do departamento de conservação de livros e documentos do Museu de Arte Walters de Baltimore, examina um fragmento do Livro do Génesis à procura de características peculiares. “O nosso objetivo coletivo é ajudar os estudiosos que estão a trabalhar nos Manuscritos do Mar Morto”, diz Abigail.
FOTOGRAFIA DE REBECCA HALE, NGM STAFF

A equipa acredita que o couro em si é antigo, recuperado de restos encontrados no deserto da Judeia, ou noutro lugar. Existe a possibilidade de o couro ter vindo de sandálias ou de sapatos de couro antigos. Um dos fragmentos tem uma fileira com buracos que parecem ter sido feitos artificialmente, semelhante aos encontrados no calçado da era romana.

Para além disso, os testes conduzidos por Jennifer Mass, presidente da Scientific Analysis of Fine Art, revelam que o falsificador embebeu os fragmentos numa mistura de cor âmbar, provavelmente uma cola de pele de animal. Este tratamento não só estabilizou o couro e suavizou a superfície de escrita, como também imitou uma característica especifica da cola presente nos manuscritos verdadeiros. Depois de milénios de exposição, o colagénio nos pergaminhos antigos perdeu as suas propriedades e transformou-se em gelatina, que endureceu e fez com que partes dos fragmentos reais ficassem com uma aparência gomosa e encharcada em cola.

Ainda mais incriminatório, a análise microscópica revelou que as escrituras presentes nos fragmentos foram pintadas em couro antigo. Em muitas das peças, existem gotas suspeitas de tinta brilhante em pequenas fendas e nas bordas desgastadas – gotas que não estariam presentes se o couro tivesse sido escrito quando era novo. Noutras peças, as pinceladas dos falsificadores cobrem claramente a crosta mineral irregular do couro antigo.

“O material está degradado, é muito frágil e não tem flexibilidade”, diz Abigail Quandt, membro da equipa e chefe do departamento de conservação de livros e documentos do Museu de Arte Walters de Baltimore. “Não é de admirar que os estudiosos pensassem que estavam perante escribas pouco treinados, porque eles realmente tiveram dificuldade em formar estes caracteres e manter as suas penas sob controlo.”

Possivelmente para corrigir o anacronismo, os fragmentos falsos também parecem ter sido polvilhados com minerais de argila que são consistentes com os sedimentos de Qumran, onde os manuscritos originais foram descobertos.

As análises químicas ainda mais detalhadas, chefiadas por Aaron Shugar, cientista de conservação da Faculdade Estadual de Buffalo, levantaram alertas adicionais. Através de testes feitos com raios-x, os investigadores conseguiram mapear diferentes elementos químicos nas superfícies dos fragmentos, revelando cálcio profundamente embebido nas peças de couro. A distribuição deste elemento sugere que o couro foi tratado com cal para remover quimicamente os pelos. Apesar de as evidências recentes sugerirem que alguns dos manuscritos reais podem ter sido preparados com cal, os estudiosos acreditam há muito tempo que esta técnica só foi usada depois de os autênticos Manuscritos do Mar Morto terem sido feitos.

O elo perdido das falsificações
Embora o relatório analise a composição dos fragmentos, não investiga a sua proveniência ou a cadeia de propriedade comprovada até ao seu local de origem. Para Justnes, os antecedentes perdidos dos fragmentos pós-2002 representam uma preocupação maior do que qualquer evidência química de falsificação.

“Se calhar devemos acreditar que os fragmentos pós-2002 são falsos... Se forem falsos, fomos enganados”, diz Justnes. “Mas se forem artefactos autênticos, sem uma proveniência comprovada, devem ter sido saqueados, contrabandeados – e estavam de certa forma ligados a atos criminosos.”

Os Manuscritos do Mar Morto autênticos remontam a 1947, quando pastores beduínos encontraram potes de argila nas cavernas de Qumran, na Palestina, que continham milhares de pergaminhos com mais de 1800 anos, incluindo algumas das cópias mais antigas da Bíblia Hebraica.

Para compreender melhor as características da superfície dos fragmentos, os investigadores fotografaram as peças sob diferentes ...
Para compreender melhor as características da superfície dos fragmentos, os investigadores fotografaram as peças sob diferentes comprimentos de ondas de luz, uma técnica chamada imagiologia multiespectral.
FOTOGRAFIA DE REBECCA HALE, NGM STAFF

“Os Manuscritos do Mar Morto são indiscutivelmente a descoberta bíblica mais importante do século passado”, diz Kloha. “Foi algo que aumentou o nosso conhecimento dos textos bíblicos em cerca de mil anos, a partir do que estava disponível na época, e mostrou alguma variedade – mas sobretudo a consistência – na tradição da Bíblia Hebraica.”

Na década de 1950, um negociante de antiguidades sediado em Belém, chamado Khalil Iskander Shahin, mais conhecido por Kando, adquiriu muitos dos fragmentos aos beduínos locais e vendeu-os a colecionadores do mundo inteiro. Mas na década de 1970, uma nova convenção da UNESCO sobre propriedade cultural, e uma nova lei israelita sobre o comércio de antiguidades, restringiram a venda dos manuscritos saqueados. Hoje, colecionadores particulares licitam os restos protegidos pelas leis atuais, principalmente fragmentos que entraram no mercado privado nas décadas de 1950 e 1960.

Porém, este paradigma mudou repentinamente por volta de 2002, quando os traficantes de antiguidades e estudiosos da Bíblia começaram a revelar passagens de textos bíblicos que pareciam excertos perdidos dos Manuscritos do Mar Morto. Grande parte dos fragmentos castanhos e enrugados – muitos não eram maiores do que uma moeda – supostamente remontam à família do negociante Kando que, segundo boatos, vendia peças que há muito tempo estavam guardadas num cofre na Suíça.

No final da década de 2000, a quantidade de fragmentos pós-2002 transformou-se num conjunto de pelo menos 70 peças. Os colecionadores e os museus não perderam a oportunidade de possuir os textos bíblicos mais antigos, entre eles estavam Steve Green, fundador do Museu da Bíblia e presidente da Hobby Lobby. Desde 2009, Steve Green e a Hobby Lobby gastaram uma fortuna para comprar os manuscritos e artefactos bíblicos, para criar o que seria a coleção do Museu da Bíblia. De 2009 a 2014, Steve Green comprou 16 fragmentos de Manuscritos do Mar Morto em 4 lotes, incluindo 7 fragmentos que Steve comprou diretamente a William Kando, o filho mais velho de Kando.

Inicialmente, alguns especialistas, incluindo Green, acreditaram que as peças pós-2002 eram genuínas. Em 2016, os principais estudiosos da Bíblia publicaram um livro sobre os fragmentos do Museu da Bíblia, datando-os na época dos Manuscritos do Mar Morto. Mas meses antes da publicação do livro, as dúvidas começaram a instalar-se na mente de alguns estudiosos.

Em 2016, investigadores como Justnes e Kipp Davis, um estudioso da Universidade Trinity Western do Canadá, que coeditou o referido livro de 2016, começaram a verificar indícios de que, na Noruega, alguns fragmentos pós-2002 tinham sido falsificados. Em 2017, Davis fez uma publicação que colocava em questão dois dos fragmentos do Museu da Bíblia, incluindo um que estava em exibição quando o museu foi inaugurado em 2017. As letras de um dos fragmentos estavam espremidas num canto que não existiria quando a superfície de escrita era nova. E outro parecia ter a letra grega alfa – nos anos 1930 uma Bíblia Hebraica de referência usava a letra alfa para sinalizar uma nota de rodapé.

No rescaldo do novo relatório, os investigadores dizem que se devem concentrar nas complexas rotas dos fragmentos através do comércio global de antiguidades. “Quando temos um mentiroso e um crente, é uma dança íntima”, diz Colette. “É preciso conhecer tanto os materiais como o mercado.”

O relatório conclui que, apesar de terem sido comprados em quatro momentos diferentes, por quatro pessoas diferentes, os 16 fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto do Museu da Bíblia foram falsificados da mesma forma – o que sugere que os fragmentos partilham uma fonte em comum. No entanto, a identidade do falsificador, ou falsificadores, permanece desconhecida. É possível que os próprios vendedores dos fragmentos tenham sido enganados quando compraram as peças originalmente a outros revendedores ou colecionadores.

A National Geographic tentou entrar em contacto com os três americanos que venderam os fragmentos a Steven Green. O livreiro Craig Lampe, que vendeu quatro fragmentos a Green em 2009, não respondeu aos pedidos para comentar. Nem o colecionador Andrew Stimer, que vendeu outros quatro fragmentos a Green em 2014.

Michael Sharpe, um colecionador de livros anteriormente sediado em Pasadena, na Califórnia, vendeu um dos fragmentos a Green em fevereiro de 2010. Numa entrevista concedida à National Geographic, Sharpe afirmou estar em choque e não queria acreditar que o fragmento que tinha vendido – e que ele próprio tinha comprado para a sua coleção – era falso. “Sinto-me um pouco doente”, diz Sharpe. “Não fazia ideia!”

Sharpe foi introduzido pela primeira vez ao mundo dos Manuscritos do Mar Morto por William Noah, um médico e curador de exposições do Tennessee, devido a um processo judicial que envolvia o falecido negociante de manuscritos Bruce Ferrini. No final de 2003, Noah processou Ferrini – alegando que Ferrini tinha desviado os fundos que Noah ia usar para tentar comprar uma peça de papiro com 1700 anos, do Evangelho de João, para uma exposição que ele estava a curar. Ferrini acabou por ir à falência com o processo judicial de Noah e de outros.

No fim do processo, Noah acabou por adquirir dois fragmentos que estavam em posse de Ferrini e que pertenciam à família Kando: uma pequena parte do Livro de Jeremias e um pequeno fragmento com um comentário rabínico sobre o Livro do Génesis. “Flocos de milho do Mar Morto, era como lhes chamávamos, eram tão pequenos”, diz Noah.

Noah tentou devolver os fragmentos à família Kando, mas a família concordou em vender os fragmentos com um desconto a Noah e a Sharpe. Segundo Noah, foi durante esta transação que Kando e Sharpe se conheceram. Anos mais tarde, Kando vendeu diretamente a Sharpe o maior fragmento do Génesis que acabou no Museu da Bíblia.

Noah e Sharpe dizem que os principais estudiosos validaram os fragmentos que compraram. Os registos fornecidos por Nat Des Marais, antigo parceiro de negócios de Sharpe, dizem que James Charlesworth, perito em Manuscritos do Mar Morto, que se aposentou do Seminário Teológico de Princeton em 2019, ajudou a validar a autenticidade do fragmento do Génesis.

“Como é que podiam ser falsos? Como é que podiam ser fraudulentos?” questiona Noah. “Isto foi o que aconteceu. Como é isto escapou a todos estes peritos?”

Charlesworth disse por email que, quando descreveu o fragmento aos outros estudiosos, informou que provavelmente era autêntico, mas que não era da mesma época e local de onde os verdadeiros Manuscritos do Mar Morto tinham sido encontrados em Qumran. Mas depois de olhar novamente para uma imagem do fragmento, Charlesworth expressou algum ceticismo. “Estou incomodado com a caligrafia; agora parece suspeito.”

Charlesworth também refere que já viu pedaços de couro antigo em circulação. “No passado, quando eu disse aos beduínos que um pedaço de couro não tinha valor, porque não tinha nada escrito, estava inadvertidamente a sugerir como o tornar valioso.”

William Kando, que vendeu sete fragmentos a Green, não respondeu a uma solicitação por email para comentar. Numa entrevista feita há mais tempo com Robert Draper, escritor colaborador da National Geographic, Kando negou que qualquer dos fragmentos vendidos por ele fossem falsos.

As diversas ligações da família Kando aos fragmentos falsificados não passaram despercebidas aos estudiosos. “Todas as estradas levam a Belém”, disse na conferência deste mês Lawrence Schiffman, estudioso de hebraico na Universidade de Nova Iorque e consultor do Museu da Bíblia.

Virar a página?
As repercussões deste novo relatório podem ter um alcance abrangente. O relatório não só analisa os Manuscritos do Mar Morto, como define um procedimento para testar a autenticidade de outros fragmentos pós-2002 – fragmentos que residem em instituições académicas do mundo inteiro, como na Universidade Azusa Pacific da Califórnia e no Seminário Teológico Batista Southwestern no Texas. “Quando a vida nos dá limões, certo?”, diz Colette Loll.

O relatório também pode levar a uma reavaliação do livro de 2016 – Fragmentos de Manuscritos do Mar Morto na Coleção do Museu  que apresentou os fragmentos do museu à comunidade académica. Um dos grandes estudiosos bíblicos, Emanuel Tov, que é um dos editores principais do volume, reviu o novo relatório para a National Geographic e fez a seguinte declaração:

“Não vou dizer que não existem fragmentos falsos entre os fragmentos do Museu da Bíblia mas, na minha opinião, a sua inautenticidade como um todo ainda não foi comprovada para além de qualquer sombra de dúvida. Esta dúvida deve-se ao facto de testes semelhantes não terem sido feitos em manuscritos verdadeiros de Manuscritos do Mar Morto, a fim de fornecer uma linha de base de comparação, incluindo os fragmentos do deserto da Judeia posteriores a Qumran. O relatório espera que concluamos que existem anormalidades sem demonstrar o que é normal.”

Brill, a editora do livro, está à espera de novos desenvolvimentos. “Se for confirmado que todos os fragmentos são falsos, o livro será retirado de circulação e nunca mais será vendido”, disse a editora através de comunicado.

Entretanto, os estudiosos também pedem ações mais contundentes. “Todos os materiais possuem documentação que comprova a sua exportação anterior sob as leis de antiguidades”, disse Schiffman. “Portanto, as vítimas – apesar de ser embaraçoso admitir que foram enganadas – precisam de explorar todos os meios criminais e civis junto das autoridades americanas, israelitas e internacionais.”

Esta situação também coloca o foco na forma como o Museu da Bíblia montou a sua coleção. Em 2017, as autoridades americanas forçaram a Hobby Lobby a devolver 5.500 lajes de argila importadas ilegalmente do Iraque e a pagar uma multa de 3 milhões de dólares. Em 2019, as autoridades do museu anunciaram que 11 fragmentos de papiro presentes na sua coleção tinham sido vendidos à Hobby Lobby por Dirk Obbink, um professor de Oxford acusado de roubar os fragmentos de uma coleção de papiros supervisionada por si.

Steven Green e os funcionários do museu sustentam há muito que foram mal aconselhados no momento da compra e que criaram a sua coleção de boa fé. Agora, um Museu da Bíblia numa posição precária está a trabalhar para restabelecer a sua relação com os estudiosos e com o público. Em 2017, Kloha começou a trabalhar com o museu para supervisionar as suas coleções e, em novembro de 2019, o museu contratou Hargrave – que ajudou a dirigir a construção do museu – para servir como o seu terceiro CEO em dois anos.

Nas entrevistas dadas à National Geographic, a nova equipa à frente do Museu da Bíblia expressou esperança de que estas análises possam ajudar os estudiosos dos Manuscritos do Mar Morto do mundo inteiro. Kloha e Hargrave acrescentam que o museu está a considerar rever a sua exibição dos manuscritos para se concentrar na forma como os investigadores descobriram as falsificações.

“Eu esperava que tivéssemos um fragmento real, porque assim podíamos mostrá-los e dizer, eis o verdadeiro e o falso, conseguem ver a diferença?”, diz Kloha. “A nossa função enquanto museu é ajudar o público a compreender e, para o melhor e para o pior, isto agora faz parte da história dos Manuscritos do Mar Morto.”

O museu também está a reavaliar a proveniência de todo o material presente na sua coleção e está preparado para devolver aos seus legítimos proprietários qualquer artefacto que tenha sido furtado. Em 2018, o Museu da Bíblia determinou que um dos manuscritos na sua coleção, que já tinha sido vendido várias vezes, tinha sido roubado à Universidade de Atenas em 1991. O museu devolveu imediatamente o artefacto à Grécia.

Christopher Rollston, especialista em textos judaicos na Universidade George Washington, em Washington D.C., vê com bons olhos este esforço para corrigir as coisas. “O Museu da Bíblia fez algumas coisas muito más há 8 ou 10 anos, e foi justamente alvo de duras críticas. Acredito que eles fizeram várias tentativas nos últimos anos para retificar a situação.”

“Se existe algum tema presente na Bíblia, é o do perdão e da possibilidade de redenção – quando alguém finalmente assume o mal que fez”, acrescenta Rollston. “Existe uma penitência verdadeira em tudo isto.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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