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cultură şi spiritualitate

José Escada, revisitado


Miguel Matos conta-lhe mais um capítulo da história da arte portuguesa, que está em exibição no CAMB.


 O Centro de Arte Manuel de Brito, após uma ruptura com o programa de colaboração com a Colecção Manuel de Brito, volta a expor as jóias desta coroa. Desta vez é o caso de José Escada. Não se trata de um daqueles artistas cujo nome toda a gente conhece, mas é um criador reconhecido e com obra original no contexto da cena artística portuguesa. Falecido em 1980, com apenas 46 anos, já tinha um percurso de vida cheio de histórias que ficaram por contar.

É pouca a informação sobre este homem, mas a verdade é que entre os apreciadores de arte, o apreço pelas pequenas obras de Escada é significativo. Prova disso é o preço pouco simpático das peças que vão aparecendo no mercado, inclusive num leilão da Sotheby’s, em Abril. A estimativa que ia até aos três mil euros deu lugar ao valor de martelo que ficou quase nos 12 mil euros.

 José Escada foi um dos nomes-chave de uma certa renovação da arte portuguesa nos anos 50 e 60. Com Lourdes Castro, René Bertholo, João Vieira e Gonçalo Duarte, seus companheiros da ESBAL, ainda antes dos 20 anos, teve um ateliê no Rossio, por cima do Café Gelo. Na companhia destes, participou em exposições no Centro Nacional de Cultura e na Sociedade Nacional de Belas Artes e editou a revista VER. Em 1959, Escada ganha uma bolsa Gulbenkian e vai estudar em Paris, onde publica trabalhos seus na revista KWY, do grupo com o mesmo nome, que ajudou a fundar. Segundo Maria Arlete Alves da Silva, comissária da exposição e directora da Galeria 111, “José Escada foi o paradigma do artista que se questionou permanentemente sobre a problemática da arte e simultaneamente se preocupou com os problemas que atormentam o ser humano, sobretudo com a injustiça e o sofrimento. Católico convicto, a sua inquietação levou-o a uma procura constante de ligar a arte ao transcendente.”

Esta espiritualidade, que se nota na gradual indefinição da aparência nos objectos que representa, levou ao seu envolvimento com o Movimento de Renovação da Arte Religiosa. O artista buscava a universalidade através de uma expressão que já não era figurativa, mas também não era abstracta, sendo por vezes simbólica. Uma das fases mais emblemáticas consiste em dobragens e recortes em papel com formas simétricas mas ambíguas, que tanto podem ser seres humanos como ossos ou órgãos. Possuem elementos metafísicos, e por vezes fazem lembrar as manchas dos testes de Rorschach, usados em psicanálise.

 A Colecção Manuel de Brito está enraizada no historial de mais de quatro décadas da Galeria 111. Foi neste espaço lisboeta que José Escada expôs em 1968, assim que obteve autorização para regressar a Portugal, depois de ter concedido uma entrevista à rádio italiana onde criticava o regime de Salazar, o que lhe valeu um bilhete de ida para seis anos de exílio. Nesses tempos de afastamento forçado, chorava de saudades mas semeou a possibilidade de uma carreira internacional, apenas toldada pelo seu desaparecimento precoce.

 Nesta pequena homenagem não há uma abordagem exaustiva da obra de José Escada. Maria Arlete Alves da Silva explica: “Nesta exposição temos obras de 1951 a 1979, percorrendo as várias fases do artista. Destaco de 1955 um retrato de Lourdes Castro, com quem começou a expor desde 1954. “A Rosácea” e “A Levitação”, ambos de 1965, e “Pensando em Chartres”, de 71, remetem-nos para os vitrais das catedrais góticas. “Capela de Santo Amaro”, de 1979, o último quadro da exposição, retrata o seu quarto com as paredes pintadas com os elementos recorrentes da sua pintura. Nas paredes três desenhos (uma paisagem, um cão e uma capela), à direita um telefone, talvez como metáfora da sua ligação ao mundo, e, através da janela, a capela de Santo Amaro.” Cansado de viver, Escada deixa provas de vida, objectos e pinturas que, passados 31 anos, impõem ainda a sua presença.

 “José Escada” está no CAMB (Alameda Hermano Patrone, Algés) até 2 de Outubro. Aberta de terça a domingo das 10.00 às 18.00. Na última sexta de cada mês encerra às 24.00. A entrada custa 2€.

terça-feira, 19 de Julho de 2011

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